sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Curral


 O tempo passou, o mato secou, os animais se foram... E isso foi o que restou.
 
Quem hoje vê este curral, não tem idéia de como era gostoso chegar de manhã bem cedo, naquelas manhãs tão frias e escutar o ruido dos animais, as batidas do chocalho, o cheiro do capim cortado e do estrume do gado.
 
Era um mundo diferente onde os dias passavam devagar. Dava tempo saborear cada minuto.
 
Enquanto o vaqueiro tirava o leite, eu e minhas irmãs, ficávamos pendurados na porteira, esperando pacientemente, cada um com sua caneca na mão, o leite ainda morno. Huummm... que sabor gostoso!
 
Terminado a ordenha chegava a hora de separar os bezerros das vacas. O curral se agitava, o gado corria pra todo lado e ao grito do vaqueiro, logo tudo se arrumava.
 
É chegada a hora de abrir a porteira...  "hei, hei, rei, chôooo gado. Passa chuvisco, rambora malhada, calma azulão...", ia o vaqueiro gritando apontando a direção. E assim os maiores saiam ficando só a bezerrada.
 
É chega nossa hora. Só tendo bezerro no curral entrava a criançada pra brincar de laçar. E o vaqueiro (Severino Justo) tentava nos ensinar como pegar a corda e preparar o laço, a fazer trança de corda, e ao mesmo tempo ia nos contado cada história, e ficávamos fascinados escutando cada palavra atentamente. E por aí íamos ficando até escutar o grito de mamãe nos chamando para tomar banho e o café da manhã antes de ir para escola.
 
É muita saudade, e muitas lembranças...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A Sombra


Algum momento da vida você já se deparou com alguma sombra? Sua, de outro ou de algo? Ela era divertida, acolhedora ou irritante e amedrontadora?

As sombras são assim, ora a sua frente, abrindo o caminho, chegando primeiro ao seu destino, ora andando ao seu lado como companheira inseparável, ora te perseguindo implacavelmente.

Se há luz, há sombra, a não ser que nada exista além da luz. Porque se houver algo além da luz, mesmo um grão de poeira, trará a sombra junto. E quanto mais forte a luz mais intensa será a sombra.

Não temos como fugir dela, nem mesmo em noite escura, pois aí tudo é sombra. E no pingo do meio dia, com você parado (sol à pino), lá está ela sob seus pés mesmo que você não a veja, esperando seu próximo passo. Alimentando-se de sua presença.
E aí? Alguma sombra te assombra? A mim, sim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Janelas do Tempo

Fico imaginando quanta vida já se passou nestas janelas.
Quem já se debruçou em seu parapeito e assistiu a cidade passar por ali.
Se foram moças ou rapazes, senhoras ou senhores... Quanta conversa surgiu.
Quantos acenos e para quem.
Quem já sonhou olhando o céu estrelado em uma noite sem lua.
Quem os olhos brilharam no clarão da lua.
Se por acaso olhou na janela entre-aberta e suspirou enamorado
ao ver passar pela rua a pessoa amada.
Será que de lá assistiu uma bela serenata?
Ou se quem ali ficou e nem mesmo viu a rua e viajou em pensamentos.
Quem hoje ver estas janelas cerradas, não sabe para quem elas se abriram.
Não sabe, quem alí estava e o que assistiu.
O que iluminou com a luz que por ela passou?
Hoje ninguém mais presta atenção.
A vida ali se encerrou. Logo nem mesmo elas existirão.