O tempo passou, o mato secou, os animais se foram... E isso foi o que restou.
Quem hoje vê este curral, não tem idéia de como era gostoso chegar de manhã bem cedo, naquelas manhãs tão frias e escutar o ruido dos animais, as batidas do chocalho, o cheiro do capim cortado e do estrume do gado.
Era um mundo diferente onde os dias passavam devagar. Dava tempo saborear cada minuto.
Enquanto o vaqueiro tirava o leite, eu e minhas irmãs, ficávamos pendurados na porteira, esperando pacientemente, cada um com sua caneca na mão, o leite ainda morno. Huummm... que sabor gostoso!
Terminado a ordenha chegava a hora de separar os bezerros das vacas. O curral se agitava, o gado corria pra todo lado e ao grito do vaqueiro, logo tudo se arrumava.
É chegada a hora de abrir a porteira... "hei, hei, rei, chôooo gado. Passa chuvisco, rambora malhada, calma azulão...", ia o vaqueiro gritando apontando a direção. E assim os maiores saiam ficando só a bezerrada.
É chega nossa hora. Só tendo bezerro no curral entrava a criançada pra brincar de laçar. E o vaqueiro (Severino Justo) tentava nos ensinar como pegar a corda e preparar o laço, a fazer trança de corda, e ao mesmo tempo ia nos contado cada história, e ficávamos fascinados escutando cada palavra atentamente. E por aí íamos ficando até escutar o grito de mamãe nos chamando para tomar banho e o café da manhã antes de ir para escola.
É muita saudade, e muitas lembranças...


