segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

... O que foi isso?



Então, vim aqui conversar. Bateu aquela saudade antiga, a falta dos momentos, das nossas brincadeiras...

...

Como é mesmo seu nome? Olho na lápide gasta...

Muito prazer. Já estou indo. É exaustivo ficar falando sozinho.





Este texto foi criado a partir de uma cena que vi quando fui ao sepultamento de um conhecido. Um senhor sentado junto à um túmulo, como se estivesse conversando, mas não parecia ser com alguém que estivesse no túmulo. Como não estava com minha câmera, ficou apenas a imagem em minha mente e o texto que pensei no momento. E hoje, brincando com a IA, experimentei criar a imagem que ficou em minha lembrança.
(Imagem gerada com IA Gemini)

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Quando a saudade faz sonhar.


Acordo... Estou sonolento, procuro o celular para olhar a hora. São 05:14. Pela janela vejo a claridade do sol que inicia seu passeio diário. Olho do lado, cheiro os lençóis, passo a mão pelo peito e algo se enrola em meus dedos. Cabelos, fios longos e negros que se emaranharam aos pelos de meu peito. Sinto um sorriso brotar e meus pensamentos viajam pelas lembranças de nosso último encontro e de tantos outros. Cheiro aquele canto da cama onde você dormiu, aperto o travesseiro, e olho aqueles fios emaranhados em meus dedos. Estes fios de cabelos que durante a noite se aninharam em meu peito assim como você.

Vem a saudade e a vontade de tê-la comigo. Sentir seu calor, seu cheiro... Acariciar seus cabelos em desalinho e descer percorrendo seu corpo me deliciando com as curvas suaves. Te envolver num abraço e falar ao seu ouvido: "Oi, bom dia. Gosto de tu." 

Procuro tua boca. Escorro pelo pescoço, beijo seus seios e vou descendo pela barriga até tocar seu ventre. Lá chegando olho para seu rosto em busca de aprovação. Então beijo aquele montinho de pelos. Escalo seu corpo até que meus olhos fiquem juntinhos aos seus. 
Um sorriso preguiçoso surge em seu rosto e sinto sua respiração. Um beijo...

Bip, bip, bip...
Toca o despertador 05:50. Levanto de supetão. Estava sonhando... Que pena!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Curral


 O tempo passou, o mato secou, os animais se foram... E isso foi o que restou.
 
Quem hoje vê este curral, não tem idéia de como era gostoso chegar de manhã bem cedo, naquelas manhãs tão frias e escutar o ruido dos animais, as batidas do chocalho, o cheiro do capim cortado e do estrume do gado.
 
Era um mundo diferente onde os dias passavam devagar. Dava tempo saborear cada minuto.
 
Enquanto o vaqueiro tirava o leite, eu e minhas irmãs, ficávamos pendurados na porteira, esperando pacientemente, cada um com sua caneca na mão, o leite ainda morno. Huummm... que sabor gostoso!
 
Terminado a ordenha chegava a hora de separar os bezerros das vacas. O curral se agitava, o gado corria pra todo lado e ao grito do vaqueiro, logo tudo se arrumava.
 
É chegada a hora de abrir a porteira...  "hei, hei, rei, chôooo gado. Passa chuvisco, rambora malhada, calma azulão...", ia o vaqueiro gritando apontando a direção. E assim os maiores saiam ficando só a bezerrada.
 
É chega nossa hora. Só tendo bezerro no curral entrava a criançada pra brincar de laçar. E o vaqueiro (Severino Justo) tentava nos ensinar como pegar a corda e preparar o laço, a fazer trança de corda, e ao mesmo tempo ia nos contado cada história, e ficávamos fascinados escutando cada palavra atentamente. E por aí íamos ficando até escutar o grito de mamãe nos chamando para tomar banho e o café da manhã antes de ir para escola.
 
É muita saudade, e muitas lembranças...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A Sombra


Algum momento da vida você já se deparou com alguma sombra? Sua, de outro ou de algo? Ela era divertida, acolhedora ou irritante e amedrontadora?

As sombras são assim, ora a sua frente, abrindo o caminho, chegando primeiro ao seu destino, ora andando ao seu lado como companheira inseparável, ora te perseguindo implacavelmente.

Se há luz, há sombra, a não ser que nada exista além da luz. Porque se houver algo além da luz, mesmo um grão de poeira, trará a sombra junto. E quanto mais forte a luz mais intensa será a sombra.

Não temos como fugir dela, nem mesmo em noite escura, pois aí tudo é sombra. E no pingo do meio dia, com você parado (sol à pino), lá está ela sob seus pés mesmo que você não a veja, esperando seu próximo passo. Alimentando-se de sua presença.
E aí? Alguma sombra te assombra? A mim, sim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Janelas do Tempo

Fico imaginando quanta vida já se passou nestas janelas.
Quem já se debruçou em seu parapeito e assistiu a cidade passar por ali.
Se foram moças ou rapazes, senhoras ou senhores... Quanta conversa surgiu.
Quantos acenos e para quem.
Quem já sonhou olhando o céu estrelado em uma noite sem lua.
Quem os olhos brilharam no clarão da lua.
Se por acaso olhou na janela entre-aberta e suspirou enamorado
ao ver passar pela rua a pessoa amada.
Será que de lá assistiu uma bela serenata?
Ou se quem ali ficou e nem mesmo viu a rua e viajou em pensamentos.
Quem hoje ver estas janelas cerradas, não sabe para quem elas se abriram.
Não sabe, quem alí estava e o que assistiu.
O que iluminou com a luz que por ela passou?
Hoje ninguém mais presta atenção.
A vida ali se encerrou. Logo nem mesmo elas existirão.